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Parte 1 – Seu Cérebro em Alerta: Por Que Somos Viciados em Notícias Ruins?

  • Foto do escritor: João Paulo Soares Fernandes
    João Paulo Soares Fernandes
  • 22 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 12 de set. de 2025


Você já acorda com o mundo em colapso?

Mal abriu os olhos e o celular já está na mão. A primeira coisa que aparece? Manchetes de crise, guerra, desastres e conflitos. Antes mesmo de escovar os dentes, seu corpo já está tenso, seu peito, apertado. Soa familiar?

Esse hábito viciante de rolar o feed em busca de más notícias tem um nome: doomscrolling (uma espécie de "rolagem da desgraça", em tradução livre). É como se uma parte de você precisasse confirmar que o mundo está, de fato, perigoso. E por mais que isso te deixe ansioso, é muito difícil parar. Mas por que isso acontece?


Nosso Cérebro Foi Programado para o Perigo


Essa atração pelo negativo não é fraqueza, mas uma herança evolutiva. Para nossos ancestrais, sobreviver significava prestar atenção máxima aos riscos. Por isso, nosso cérebro desenvolveu um "viés da negatividade": ele reage com muito mais intensidade a ameaças do que a recompensas.

Hoje, com acesso 24h a notícias alarmantes, esse filtro evolutivo se tornou uma armadilha. Somos bombardeados o tempo todo, e o cérebro reage como se estivéssemos sob ataque real.


A Amígdala: O "Alarme de Incêndio" da Sua Mente


Quando você vê uma notícia angustiante, a amígdala — o centro de detecção de ameaças do cérebro — dispara um alerta geral. Ela ativa seu sistema de “luta ou fuga” e inunda seu corpo com hormônios de estresse, como o cortisol.

O resultado? Mesmo sentado no sofá, seu corpo se prepara para uma batalha. Além disso, essas informações negativas são gravadas com mais força na memória, o que alimenta a sensação de que "o mundo está cada vez pior".


O Cérebro Racional Sai de Cena (e a Ansiedade Assume)


Enquanto a amígdala está em pânico, o córtex pré-frontal — a área responsável pelo pensamento lógico e decisões equilibradas — fica sobrecarregado. Sua mente entra em estado de hipervigilância, e você passa a reagir por impulso, com ansiedade crescente.

As redes sociais pioram tudo. Seus algoritmos aprendem que notícias ruins geram mais cliques e reações, e te entregam mais do mesmo, mantendo você preso em um ciclo vicioso.


Pensamentos Distorcidos: O Mundo Parece Pior do Que Realmente É


Nesse estado crônico de alerta, seu pensamento se altera. Você começa a catastrofizar, imaginando sempre o pior cenário. Isso acontece por dois gatilhos mentais principais:

  • Heurística da Disponibilidade: Quanto mais você vê notícias de desastres, mais seu cérebro acredita que eles são a norma.

  • Viés de Confirmação: Se você já se sente ansioso, sua mente busca e filtra apenas as informações que confirmam seus medos.

O resultado final é uma percepção distorcida da realidade, que rouba sua esperança e sua capacidade de agir.


Pronto para quebrar o ciclo?


Entender o "porquê" é o primeiro passo. Na segunda parte deste texto, abordarei como o discurso político e os algoritmos intensificam essa espiral de medo e apresentar ferramentas práticas da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) para você retomar o controle.







Referências:

Baumeister, R. F., et al. (2001). Bad is stronger than good. Review of General Psychology, 5(4), 323–370.

Kahneman, D. (2011). Thinking, fast and slow. Farrar, Straus and Giroux.

Soroka, S., et al. (2019). Cross-national evidence of a negativity bias in psychophysiological reactions to news. PNAS, 116(38), 18888-18892.

 
 
 

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