O Brasil perdeu, e agora? Como lidar com a frustração quando a vida precisa continuar ?
- João Paulo Soares Fernandes
- há 23 horas
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Quem assistiu à eliminação sentiu o golpe de imediato. A festa acaba, as bandeiras são guardadas, o bar silencia. No dia seguinte, acordamos com aquela "ressaca emocional": uma mistura de tristeza, frustração e a sensação de que um investimento enorme de energia e esperança foi por água abaixo.
É um luto real, ainda que passageiro. O torcedor investiu em algo que, no fim das contas, estava completamente fora do seu controle. E não há pensamento positivo que apague essa quebra de expectativa. A frustração está lá, pesada e inegável.
O que vivemos de forma coletiva após uma eliminação é um espelho perfeito de como lidamos com as nossas pequenas "derrotas" diárias. Quantas vezes a vida nos impõe uma eliminação que não escolhemos? Um projeto que não deu certo, um "não" que doeu, uma semana caótica ou um plano que simplesmente desmoronou. A nossa primeira reação, assim como a do torcedor frustrado, é querer paralisar. Sentimos que só poderemos voltar a agir quando a tristeza passar, quando a motivação voltar ou quando o cenário for favorável novamente.
Mas o mundo não pausa para que a gente se recupere. A segunda-feira chega.
É aqui que caímos em uma das maiores armadilhas da mente: acreditar que precisamos estar nos sentindo bem, motivados e sem frustrações para continuar caminhando. O sistema exige que você "vire a chave" rapidamente. A sociedade grita: "engole o choro e vai produzir!".
Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), nós não pedimos para você engolir o choro. A frustração é válida. A tristeza pela perda é real. O que fazemos é aprender uma habilidade chamada Ação Comprometida.
Agir com compromisso não significa vestir um sorriso falso e fingir que nada aconteceu. Significa olhar para o que realmente importa — para os seus valores — e dar o próximo passo carregando a frustração com você, não tentando se livrar dela primeiro. Para o torcedor na segunda-feira pós-eliminação, agir com compromisso é retomar o fio da própria rotina. Ele não faz isso porque a dor do jogo sumiu, mas porque a sua própria vida, os seus projetos pessoais e as suas responsabilidades continuam sendo dignos de dedicação, independentemente do resultado de ontem.
Você não precisa de uma mente livre de tristezas para agir na direção do que valoriza. A frustração, por mais intensa que seja, não precisa ser o ponto final. Agir comprometido é reconhecer esse desconforto, dar-lhe o seu devido espaço, e ainda assim, honrar o que você definiu como prioridade. O que define a sua trajetória não é a ausência de dor, mas a capacidade de cultivar o que é importante, mesmo nos dias mais difíceis.

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